{"id":884,"date":"2022-02-11T01:29:12","date_gmt":"2022-02-11T01:29:12","guid":{"rendered":"https:\/\/brcnoticias.com.br\/?p=884"},"modified":"2022-02-11T01:29:12","modified_gmt":"2022-02-11T01:29:12","slug":"perfil-de-internados-por-covid-19-muda-no-brasil-com-vacina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/brcnoticias.com.br\/index.php\/2022\/02\/11\/perfil-de-internados-por-covid-19-muda-no-brasil-com-vacina\/","title":{"rendered":"Perfil de internados por Covid-19 muda no Brasil com vacina"},"content":{"rendered":"<p>Pesquisadores da Faculdade de Medicina de S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto (Famerp), no interior de S\u00e3o Paulo, constataram que a vacina\u00e7\u00e3o contra a Covid-19 reduziu o risco de interna\u00e7\u00e3o e mortes pela doen\u00e7a mesmo em pacientes que tinham v\u00e1rias comorbidades, como problemas de cora\u00e7\u00e3o e diabetes.<\/p>\n<p>J\u00e1 os outros problemas de sa\u00fade \u2013 como os de cora\u00e7\u00e3o, f\u00edgado, neurol\u00f3gicos, diabetes ou comprometimento imunol\u00f3gico \u2013 foram relacionados a um risco maior de interna\u00e7\u00e3o pela Covid apenas para os n\u00e3o vacinados.<\/p>\n<p>Entre os vacinados, apenas a idade acima de 60 anos e a doen\u00e7a renal permaneceram como fatores de risco (veja detalhes mais abaixo).<\/p>\n<p><em>\u201cA vacina diminuiu o impacto de todas as comorbidades\u201d<\/em>, explica o m\u00e9dico e virologista Maur\u00edcio Lacerda Nogueira, professor da Famerp e um dos autores da pesquisa, que teve financiamento da Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo (Fapesp). Os dados foram divulgados nesta semana no \u201cJournal of Infection\u201d, do Grupo Elsevier.<\/p>\n<p><em><strong>Como o estudo foi feito<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Os pesquisadores analisaram dados de 2.777 pacientes, internados com sintomas de Covid entre 5 de janeiro e 12 de setembro de 2021, para verificar o impacto da vacina\u00e7\u00e3o no perfil de pacientes internados com a doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Entre os participantes, nesse per\u00edodo, 2.518 (equivalente a 91% do total) ainda n\u00e3o haviam sido vacinados contra a doen\u00e7a no momento da interna\u00e7\u00e3o. A idade m\u00e9dia dos pacientes era de 51 anos de idade.<\/p>\n<p>(\u00c9 importante lembrar que a vacina\u00e7\u00e3o contra a Covid-19 s\u00f3 come\u00e7ou no Brasil em 17 de janeiro, e foi feita em idade decrescente. At\u00e9 12 de setembro do ano passado, s\u00f3 cerca de 34% dos brasileiros estavam imunizados).<\/p>\n<p>Ao separar os pacientes entre vacinados e n\u00e3o vacinados, os pesquisadores compararam as caracter\u00edsticas dos integrantes de cada grupo \u2013 idade, sexo, presen\u00e7a de comorbidades, os sintomas que apresentaram, as condutas cl\u00ednicas adotadas durante a interna\u00e7\u00e3o e os desfechos (recupera\u00e7\u00e3o ou \u00f3bito).<\/p>\n<p>Para pacientes vacinados, apenas ter mais que 60 anos e uma doen\u00e7a renal continuou sendo um fator de risco aumentado para hospitaliza\u00e7\u00e3o ou morte. Entre os n\u00e3o vacinados, al\u00e9m da doen\u00e7a renal, ter cardiopatias, dist\u00farbios no f\u00edgado ou neurol\u00f3gicos, diabetes e comprometimento imunol\u00f3gico tamb\u00e9m aumentavam o risco.<\/p>\n<p><em>\u201cO que a vacina mudou foi o perfil da mortalidade. Ao inv\u00e9s daquela mortalidade que n\u00f3s tivemos no meio do ano passado, onde atingia todas as faixas et\u00e1rias e todas as comorbidades, a partir da vacina, essa mortalidade tende a ser maior apenas em idosos com insufici\u00eancia renal\u201d<\/em>, explicou Maur\u00edcio Nogueira.<\/p>\n<p>Os pesquisadores n\u00e3o separaram, no estudo, os pacientes conforme a vacina recebida, mas, segundo o m\u00e9dico, a maioria dos imunizados naquela \u00e9poca receberam a CoronaVac, com poucos tendo recebido a vacina de Oxford\/AstraZeneca.<\/p>\n<p>Outro ponto \u00e9 que a variante dominante no pa\u00eds no per\u00edodo do estudo era a gama; hoje, \u00e9 a \u00f4micron.<\/p>\n<p><em>\u201cHoje, com a volta das cirurgias eletivas, o avan\u00e7o da vacina\u00e7\u00e3o e a emerg\u00eancia da \u00f4micron, temos visto um panorama diferente nos hospitais\u201d<\/em>, explicou \u00e0 Ag\u00eancia Fapesp a primeira autora do estudo e integrante do Laborat\u00f3rio de Pesquisas em Virologia da Famerp C\u00e1ssia Fernanda Estofolete. <em>\u201cMuitos pacientes s\u00e3o internados para fazer uma cirurgia agendada ou por trauma e acabam descobrindo que est\u00e3o com Covid-19, ou seja, n\u00e3o \u00e9 o v\u00edrus que leva a pessoa ao hospital\u201d<\/em>, explicou.<\/p>\n<p><em>\u201cE tamb\u00e9m h\u00e1 muitos idosos com comorbidades que acabam sendo internados porque a Covid-19 exacerba a doen\u00e7a de base \u2013 descompensa o diabetes ou a insufici\u00eancia renal, por exemplo. A maioria j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 internada por SRAG [s\u00edndrome respirat\u00f3ria aguda grave], como era na \u00e9poca em que o estudo foi feito\u201d<\/em>, completou Estofolete, que refor\u00e7ou que a vacina mudou a forma como a Covid evolui.<\/p>\n<p>Nogueira explicou que o objetivo dos cientistas n\u00e3o foi entender por que as pessoas com problemas de rins tiveram mais risco de interna\u00e7\u00e3o e morte \u2013 mas que j\u00e1 se sabia que esses pacientes respondem pior \u00e0 Covid e tem um equil\u00edbrio (homeostase) pior no corpo.<\/p>\n<p><em>\u201cTanto que as pessoas dial\u00edticas [em tratamento de hemodi\u00e1lise] eram grupo priorit\u00e1rio para fazer vacina\u00e7\u00e3o\u201d<\/em>, ponderou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadores da Faculdade de Medicina de S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto (Famerp), no interior de S\u00e3o Paulo, constataram que a vacina\u00e7\u00e3o contra a Covid-19 reduziu o risco de interna\u00e7\u00e3o e mortes pela doen\u00e7a mesmo em pacientes que tinham v\u00e1rias comorbidades, como problemas de cora\u00e7\u00e3o e diabetes. 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