{"id":826,"date":"2022-01-31T18:59:03","date_gmt":"2022-01-31T18:59:03","guid":{"rendered":"https:\/\/brcnoticias.com.br\/?p=826"},"modified":"2022-01-31T18:59:03","modified_gmt":"2022-01-31T18:59:03","slug":"188-pessoas-foram-resgatadas-de-trabalho-analogo-ao-escravo-em-2021-na-bahia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/brcnoticias.com.br\/index.php\/2022\/01\/31\/188-pessoas-foram-resgatadas-de-trabalho-analogo-ao-escravo-em-2021-na-bahia\/","title":{"rendered":"188 pessoas foram resgatadas de trabalho an\u00e1logo ao escravo, em 2021, na Bahia"},"content":{"rendered":"<p>A Bahia registrou, em 2021, o maior n\u00famero de trabalhadores resgatados de trabalho an\u00e1logo a escravo nos \u00faltimos 7 anos: 188 pessoas foram resgatadas em todo o estado. Os dados s\u00e3o da Comiss\u00e3o Estadual de Erradica\u00e7\u00e3o do Trabalho Escravo da Bahia (COETRAE\/BA), coordenada pelo Governo do Estado.<\/p>\n<p>Os 188 trabalhadores foram resgatados nos munic\u00edpios de Salvador, Xique-Xique, Concei\u00e7\u00e3o do Coit\u00e9, Feira de Santana, Canavieiras e Aracatu. A comiss\u00e3o, que tem \u00e0 frente da coordena\u00e7\u00e3o a Secretaria de Justi\u00e7a, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social da Bahia (SJDHDS), atua no enfrentamento e acolhimento das v\u00edtimas, atrav\u00e9s de um trabalho integrado com diversos \u00f3rg\u00e3os estaduais e federais.<\/p>\n<p>O n\u00famero de trabalhadores resgatados s\u00f3 n\u00e3o \u00e9 maior do que o registrado em 2015, quando 339 pessoas foram resgatadas pelas opera\u00e7\u00f5es da COETRAE\/BA. No per\u00edodo de 2012 a 2021, 1056 trabalhadores foram resgatados e atendidos pela comiss\u00e3o.<\/p>\n<p><em>Ant\u00f4nia*<\/em> tinha 15 anos quando come\u00e7ou a trabalhar como empregada dom\u00e9stica e cuidar de tr\u00eas senhoras, no munic\u00edpio de Amargosa. Foi embora em 2020, com 47 anos, depois de ser resgatada pela Coetrae-BA j\u00e1 em Salvador, local onde morava com as mesmas senhoras.<\/p>\n<p><em>\u201cEu comecei a trabalhar muito nova e n\u00e3o tinha hor\u00e1rio de trabalho algum. O expediente era da hora que eu acordava at\u00e9 a hora que eu ir dormir, \u00e0s vezes inclusive no meio da madrugada. Nunca tive carteira assinada ou qualquer benef\u00edcio. Eu poderia j\u00e1 estar aposentada se tivesse sido feito tudo direito comigo\u201d<\/em>, diz a mulher resgatada.<\/p>\n<p>A mulher recebeu ajuda de vizinhos, j\u00e1 aqui em Salvador, que denunciaram a falta de direitos e a rotina de trabalho exaustiva a qual Ant\u00f4nia era submetida. Sem direito a estudar, a v\u00edtima diz que hoje quer recome\u00e7ar sua vida.<\/p>\n<p><em>\u201cTem um processo que est\u00e1 na justi\u00e7a. Espero poder continuar minha vida, comprar a minha casinha e retomar meus estudos. Vou come\u00e7ar a estudar de novo agora e \u00e9 o que eu mais espero\u201d<\/em>, completou a trabalhadora, que hoje vive com o irm\u00e3o em um munic\u00edpio do interior da Bahia.<\/p>\n<p><strong>Acolhimento<\/strong><\/p>\n<p>Na SJDHDS, al\u00e9m do trabalho da Coordena\u00e7\u00e3o de Enfrentamento ao Tr\u00e1fico de Pessoas e Combate ao Trabalho Escravo, a equipe da Superintend\u00eancia de Assist\u00eancia Social tamb\u00e9m atua no encaminhamento das v\u00edtimas para unidades dos CRAS e CREAS dos munic\u00edpios de origem. A secretaria tamb\u00e9m encaminha e acompanha as v\u00edtimas para servi\u00e7os de qualifica\u00e7\u00e3o profissional e inser\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho, a partir da parceria com o SineBahia e a Secretaria Estadual de Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre).<\/p>\n<p>Nestes espa\u00e7os, os trabalhadores recebem acompanhamento social, familiar e, ap\u00f3s entrevista, s\u00e3o inseridos nos programas sociais. Quando necess\u00e1rio, tamb\u00e9m h\u00e1 o encaminhamento para os servi\u00e7os de emiss\u00e3o de documentos.<\/p>\n<p><em>\u201cO trabalho de acolhimento e orienta\u00e7\u00e3o depois do resgate \u00e9 muito importante. Nossa equipe atua para garantir que as pessoas tenham acesso aos seus direitos b\u00e1sicos, mas, tamb\u00e9m, que encontrem apoio para correr atr\u00e1s daquilo que lhe foi tirado ao longo da vida de explora\u00e7\u00e3o. Infelizmente, o n\u00famero tem crescido na Bahia e no Brasil, assim como diversas outras viola\u00e7\u00f5es de direitos\u201d<\/em>, afirma o secret\u00e1rio da SJDHDS, Carlos Martins.<\/p>\n<p>Criada em 2009, a COETRAE\/BA tem por finalidade propor mecanismos para a preven\u00e7\u00e3o e o<br \/>\nenfrentamento do trabalho escravo no Estado da Bahia. Al\u00e9m de diversas secretarias do Governo do Estado, tamb\u00e9m integram a comiss\u00e3o o Minsit\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho (MPT); Pol\u00edcia Rodovi\u00e1ria Federal (PRF); Defensoria P\u00fablica da Uni\u00e3o (DPU); Superintend\u00eancia Regional do Trabalho e Emprego (SRTE), entre outros \u00f3rg\u00e3os e organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil.<\/p>\n<p><em>\u201cO trabalho integrado entre os diferentes \u00f3rg\u00e3os da comiss\u00e3o \u00e9 o que garante a continuidade do enfrentamento ao trabalho escravo em toda a Bahia. \u00c9 um desafio crescente, mas que estamos enfrentando com muita determina\u00e7\u00e3o\u201d<\/em>, explica o coordenador de Enfrentamento ao Tr\u00e1fico de Pessoas e Combate ao Trabalho Escravo da SJDHDS, Admar Fontes J\u00fanior.<\/p>\n<p><em>Ant\u00f4nia* \u00e9 um nome fict\u00edcio usado por quest\u00e3o de seguran\u00e7a.<\/em><\/p>\n<p><strong>Fonte: Ascom\/SJDHDS<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Bahia registrou, em 2021, o maior n\u00famero de trabalhadores resgatados de trabalho an\u00e1logo a escravo nos \u00faltimos 7 anos: 188 pessoas foram resgatadas em todo o estado. 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