{"id":677,"date":"2022-01-05T19:35:38","date_gmt":"2022-01-05T19:35:38","guid":{"rendered":"https:\/\/brcnoticias.com.br\/?p=677"},"modified":"2022-01-05T19:35:38","modified_gmt":"2022-01-05T19:35:38","slug":"tecnologia-aplicativo-ajuda-monitorar-areas-de-enchentes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/brcnoticias.com.br\/index.php\/2022\/01\/05\/tecnologia-aplicativo-ajuda-monitorar-areas-de-enchentes\/","title":{"rendered":"Tecnologia: Aplicativo ajuda monitorar \u00e1reas de enchentes"},"content":{"rendered":"<p>Um aplicativo pode mudar a forma como comunidades e \u00f3rg\u00e3os governamentais lidam com as enchentes. Com um telefone celular em m\u00e3os, moradores de bairros vulner\u00e1veis a inunda\u00e7\u00f5es podem n\u00e3o apenas se informar com anteced\u00eancia sobre poss\u00edveis eventos do tipo como contribuir com os \u00f3rg\u00e3os competentes no mapeamento de \u00e1reas suscet\u00edveis e na preven\u00e7\u00e3o de desastres.<\/p>\n<p>A ferramenta \u00e9 um dos desdobramentos do projeto Dados \u00e0 Prova D\u2019\u00c1gua, parceria entre as universidades de Glasgow e Warwick, no Reino Unido, Heidelberg, na Alemanha, do Centro Nacional de Monitoramento de Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas, com apoio da FAPESP.<\/p>\n<p><em>\u201cO princ\u00edpio b\u00e1sico \u00e9 de que tecnologia, engajamento das pessoas, gera\u00e7\u00e3o, uso e circula\u00e7\u00e3o de dados melhoram a resili\u00eancia das comunidades vulner\u00e1veis a desastres socioambientais. Neste caso, inunda\u00e7\u00f5es\u201d<\/em>, explica Maria Alexandra da Cunha, professora na Escola de Administra\u00e7\u00e3o de Empresas da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas (EAESP-FGV), coordenadora da parte brasileira do projeto.<\/p>\n<p>Levantamento realizado em 2020 pela Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Munic\u00edpios (CNM) contabilizou 1.697 decretos de emerg\u00eancia ou estado de calamidade p\u00fablica por conta de chuvas intensas naquele ano.<\/p>\n<p>Segundo a \u00e1rea de Defesa Civil da CNM, os preju\u00edzos chegaram a R$ 10,1 bilh\u00f5es, decorrentes de tempestades, ciclones, deslizamentos, inunda\u00e7\u00f5es, enxurradas e tornados, sendo o setor de habita\u00e7\u00e3o o mais afetado, com 280.486 moradias danificadas ou destru\u00eddas e preju\u00edzos de R$ 8,5 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p><strong><em>O aplicativo Dados \u00e0 Prova D\u2019\u00c1gua<\/em><\/strong>, que tem o mesmo nome do projeto, foi testado por professores, estudantes, agentes da Defesa Civil e moradores em mais de 20 munic\u00edpios nos estados de Pernambuco, Santa Catarina, Mato Grosso, Acre e S\u00e3o Paulo e deve ser disponibilizado em breve na Play Store, loja virtual de aplicativos da Google.<\/p>\n<p>Para alimentar o aplicativo, os pesquisadores usam o princ\u00edpio da ci\u00eancia cidad\u00e3. Alunos de escolas p\u00fablicas passam por um treinamento, que envolve a constru\u00e7\u00e3o de pluvi\u00f4metros artesanais, usando uma garrafa PET e uma r\u00e9gua simples.<\/p>\n<p>Cada estudante fica, ent\u00e3o, respons\u00e1vel por verificar diariamente a quantidade de chuvas medida por cada um desses pluvi\u00f4metros e inserir as medidas no aplicativo, que v\u00e3o para o banco de dados do projeto. Espera-se que esses dados possam futuramente ajudar a subsidiar medidas de preven\u00e7\u00e3o a desastres.<\/p>\n<p><em>\u201cOs dados necess\u00e1rios \u00e0 gest\u00e3o de riscos de desastres fluem tradicionalmente de forma unidirecional, dos centros de expertise para a popula\u00e7\u00e3o e \u00f3rg\u00e3os executores. O aplicativo possibilita ampliar esse fluxo, pois promove a participa\u00e7\u00e3o direta da comunidade nos processos de gest\u00e3o e amplia a fonte de dados locais dos centros especializados\u201d<\/em>, afirma M\u00e1rio Martins, pesquisador vinculado ao projeto, que realiza o p\u00f3s-doutorado na EAESP-FGV com bolsa da FAPESP.<\/p>\n<p>A aplica\u00e7\u00e3o permite ainda enviar informa\u00e7\u00f5es sobre \u00e1reas alagadas, intensidade de chuva e altura da \u00e1gua no leito do rio, al\u00e9m de conter dados disponibilizados por \u00f3rg\u00e3os como as \u00e1reas de suscetibilidade do Servi\u00e7o Geol\u00f3gico do Brasil (CPRM) e dados pluviom\u00e9tricos do Cemaden, para uso dos moradores das comunidades.<\/p>\n<p><em>\u201cN\u00e3o quer\u00edamos apenas desenvolver um aplicativo. Durante nossas atividades nas \u00e1reas de estudo, nos preocupamos em discutir como o aplicativo poderia ser utilizado pelos moradores durante os desastres. Por isso, acabamos desenvolvendo um novo m\u00e9todo de desenvolvimento de software e uma ferramenta que pudesse ser usada por todos\u201d<\/em>, conta L\u00edvia Degrossi, que realiza p\u00f3s-doutorado na EAESP-FGV.<\/p>\n<p>A pesquisadora desenvolveu a aplica\u00e7\u00e3o em colabora\u00e7\u00e3o com profissionais do Cemaden, da Defesa Civil e da Secretaria de Meio Ambiente do Acre. Participaram ainda estudantes das escolas estaduais Renato Braga e Vicente Leporace, no Jardim S\u00e3o Lu\u00eds, na cidade de S\u00e3o Paulo, e moradores do bairro, que fica no M\u2019Boi Mirim, \u00e1rea do munic\u00edpio com maior n\u00famero de regi\u00f5es de risco, segundo o Instituto de Pesquisas Tecnol\u00f3gicas (IPT).<\/p>\n<p><strong>Mem\u00f3rias de enchentes<\/strong><\/p>\n<p><em>\u201cTrabalhamos em escolas p\u00fablicas com baixos \u00edndices socioecon\u00f4micos e com hist\u00f3rico de inunda\u00e7\u00f5es. O Jardim S\u00e3o Lu\u00eds, com muitos c\u00f3rregos e montanhas, \u00e9 bastante vulner\u00e1vel aos alagamentos, mas tamb\u00e9m a desmoronamentos. A ideia era criar dados e promover a circula\u00e7\u00e3o dos que j\u00e1 existem, aqueles que os \u00f3rg\u00e3os governamentais t\u00eam, mas n\u00e3o chegam \u00e0s comunidades\u201d<\/em>, informa Fernanda Lima e Silva, que realiza est\u00e1gio de p\u00f3s-doutorado na EAESP-FGV com bolsa da FAPESP.<\/p>\n<p>Junto com Degrossi, a pesquisadora coordenou a constru\u00e7\u00e3o de um guia de aprendizagem para o desenvolvimento de uma disciplina eletiva, a ser oferecida por escolas p\u00fablicas, preferencialmente com estudantes de ensino m\u00e9dio, sobre preven\u00e7\u00e3o de desastres, ci\u00eancia cidad\u00e3 e o impacto das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas no dia a dia das pessoas. A rede de colaboradores envolveu professores das escolas participantes do projeto e do Cemaden Educa\u00e7\u00e3o, que vai disponibilizar o guia em seu site.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da preven\u00e7\u00e3o de desastres, o projeto trabalha com mem\u00f3rias das enchentes. Inicialmente, os estudantes do Jardim S\u00e3o Lu\u00eds entrevistaram parentes mais velhos e levaram para a sala de aula hist\u00f3rias que acabaram fornecendo dados sobre o passado das enchentes na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m foram realizadas rodas de conversa com os moradores mais antigos e at\u00e9 mesmo a produ\u00e7\u00e3o de uma s\u00e9rie de minidocument\u00e1rios chamada Mem\u00f3rias \u00e0 Prova D\u00b4\u00c1gua, dispon\u00edvel on-line.<\/p>\n<p>O trabalho contou com a parceria de pesquisadoras da Universidade de Warwick, que desenvolvem pesquisa sobre mem\u00f3rias de desastres com o objetivo de aumentar a resili\u00eancia comunit\u00e1ria.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia rendeu ainda um cap\u00edtulo de livro, que ser\u00e1 publicado em uma edi\u00e7\u00e3o especial sobre mem\u00f3rias e sustentabilidade do Bulletin of Hispanic Studies, a ser publicado em 2023.<\/p>\n<p><em>\u201cFizemos tamb\u00e9m um mapeamento de percep\u00e7\u00e3o de risco em que os pr\u00f3prios moradores colocavam as \u00e1reas suscet\u00edveis no mapa. \u00c9 um conhecimento muito mais detalhado do que o feito pelos \u00f3rg\u00e3os competentes. Consegue-se chegar ao n\u00edvel da esquina do bairro e com isso foi detectado um problema forte com enxurradas, por exemplo\u201d<\/em>, conta Lima e Silva.<\/p>\n<p>Os pesquisadores realizaram ainda oficinas da ferramenta de mapeamento colaborativo no <a href=\"https:\/\/www.openstreetmap.org\/\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">OpenStreetMap<\/a>, que tem licen\u00e7a de uso gratuita e permite que os usu\u00e1rios acrescentem informa\u00e7\u00f5es aos mapas. O objetivo era mapear o bairro, chamando aten\u00e7\u00e3o para as enchentes e os riscos de deslizamentos de terra.<\/p>\n<p>Neste ano, o grupo vai lan\u00e7ar um manual para que o programa possa ser implementado em mais localidades do pa\u00eds. <em>\u201c\u00c9 muito importante que as pessoas se engajem com os dados, desde a sua gera\u00e7\u00e3o at\u00e9 o uso. Esperamos poder contribuir para espalhar essa pr\u00e1tica e aumentar a resili\u00eancia desses locais, uma vez que eventos extremos est\u00e3o se tornando cada vez mais comuns\u201d<\/em>, encerra Cunha.<\/p>\n<p>Via <a href=\"https:\/\/www.bomjesusdalapanoticias.com.br\/ultimas-noticias\/aplicativo-ajuda-comunidades-a-monitorar-enchentes-e-fornece-dados-para-prevencao-de-desastres\/\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">Not\u00edcias da Lapa<\/a> e <em>Ag\u00eancia Fapesp<\/em>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um aplicativo pode mudar a forma como comunidades e \u00f3rg\u00e3os governamentais lidam com as enchentes. Com um telefone celular em m\u00e3os, moradores de bairros vulner\u00e1veis a inunda\u00e7\u00f5es podem n\u00e3o apenas se informar com anteced\u00eancia sobre poss\u00edveis eventos do tipo como contribuir com os \u00f3rg\u00e3os competentes no mapeamento de \u00e1reas suscet\u00edveis e na preven\u00e7\u00e3o de desastres. 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